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Inteligência Artificial (IA) você tem medo do quê?

A Inteligência Artificial é filha legítima da Inteligência Natural, esta, sim, que nos orienta, protege, desafia e estimula

20 de maio de 2024 09:22
por:

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*Epiphânio Camillo

É estimulante observar as percepções que afloram “urbi et orbi”, densamente impactantes, em todas as mídias em face da nova onda de estranhamentos e perplexidades trazidas ao palco pela denominada Inteligência Artificial, percebida ora como evolução benfazeja, ora revolução ameaçadora.

Os questionamentos postos se assentam nas bases e métricas dos fundamentos e valores tradicionais instalados que, de modo inopinado, estão sendo reavaliados em face da queda da “Reserva do Conhecimento”, mantida por séculos sob controle de regras e protocolos acumulados antes do advento dessa nova “roda” produzida pela ciência, e de outras inovações que lhes são conexas, transformadoras e transgressoras, a expor sem controles as nudezes dos mitos consagrados, dos dogmáticos pilares do processo civilizatório, agora desafiados e postos à provação.

A ultrapassagem das barreiras de contenção do conhecimento é garantia: (i) ao exercício do direito à livre escolha para explorar saberes além dos codificados em prateleiras autorizadas; (ii) de poder alcançar o que está fora das bolhas impostas, que aprisionam; (iii) para obter acesso, ao arbítrio individual, às informações para criar universo próprio, alcançando limites e extensão das percepções de cada pessoa como nunca experimentado.

No reino da ficção, não é surpresa. No romance o “O Macaco e a Essência”, de Aldous Huxley, 1948, o enredo se passa no futuro após guerra nuclear devastadora. Um grupo de pessoas explora região antes habitada, agora controlada por sociedade autoritária. Descobrem comunidade de macacos que evoluíram para um estado similar ao dos humanos antes da guerra.

O argumento da narrativa dá ênfase à fragilidade da natureza humana, ao poder da tecnologia e alerta para os perigos do controle totalitário. Tempos depois, em outra obra, “A Ilha”, de 1962, a história se passa em lugar fictício chamado Pala, onde uma sociedade ideal é criada com base em princípios como autoconhecimento, liberdade individual e harmonia com a natureza. Um jornalista que visita a ilha descobre os ideais progressistas e humanistas daquela comunidade.

Aldous Huxley explora nesse romance a espiritualidade, a política, a psicologia e a educação, contrastando a utopia de Pala com as realidades distópicas retratadas em “O Macaco e a Essência”. Como se vê, a novidade não é nova!

Há ao menos dois lados a considerar quando somos submetidos às incertezas trazidas por tecnologias extensamente impactantes: o das oportunidades e o das ameaças, sejam elas fictícias ou reais. Com a Inteligência Artificial não é diferente.

Teremos ao nosso alcance muito mais que duas janelas para escolher onde nos debruçarmos, mirar horizontes inéditos para além do observável onde orbitam os objetos das curiosidades, enxergar ao longe do alcance da visão, viajar no ilimitado da imaginação. Poderemos transformar janelas em portais para outros universos que nos convidam para entrar e experimentar.

A Inteligência Artificial é filha legítima da Inteligência Natural, esta, sim, que nos orienta, protege, desafia e estimula.

Em tempos de não há jeitos,

de medos e crenças no fim,

consulto dentro do peito:

medos? os tenho de mim.

*Epiphânio Camillo é vice-presidente da ACMinas

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