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Algoritmos das redes sociais: por que passamos tanto tempo presos à tela?

*Por Israel Efraim de Oliveira

23 de janeiro de 2026 09:21
por:

O Instituto das Cidades Inteligentes - ICI é uma organização social que há mais de 25 anos atua no desenvolvimento de soluções de Tecnologi...

A sensação de abrir uma rede social como Instagram ou TikTok “só para dar uma olhadinha” e passar mais tempo do que se planejava não é estranha à maioria dos internautas. Estudos indicam que o brasileiro gasta, em média, mais de 3 horas nas redes sociais por dia. Isso não é por acaso, já que esse número diz menos sobre força de vontade e mais sobre como essas plataformas são projetadas para prender nossa atenção. 

No centro da experiência social online está o algoritmo, um sistema complexo que decide o que você vê. Seu papel é atuar como um filtro automático, tentando selecionar aquilo que tem mais chance de chamar a sua atenção dentre os milhões de conteúdos publicados diariamente. Ele resolve um problema real, evitando que você veja muito material irrelevante e perca o interesse. 

Porém, como o propósito central das redes sociais é comercial, elas ganham dinheiro com anúncios. Ou seja: quanto mais tempo você passa nelas, mais anúncios você vê. Nesse sentido, o principal objetivo do algoritmo é entregar um fluxo contínuo de conteúdo para manter você engajado, utilizando a plataforma pelo maior tempo possível. 

Como os algoritmos operam? 

Esses sistemas não sabem quem você é como pessoa, tampouco conhece suas intenções ou valores. Eles observam comportamentos, onde cada ação se torna um sinal de engajamento: quanto tempo você fica olhando um post, se assiste a um vídeo até o fim, se curte, comenta, compartilha ou ignora. Até mesmo parar por alguns segundos vendo um conteúdo já indica interesse. 

Aos poucos, o algoritmo cria um perfil estatístico dos seus gostos, fazendo com que a rede passe a mostrar conteúdos semelhantes, personalizados para você. Isso reduz a recomendação de material indesejado, aumenta o engajamento e mantém você confortável. Por outro lado, podem surgir problemas como passar muito tempo conectado e em bolhas de informação, visualizando mais do mesmo. Essa homogeneidade é um efeito colateral da eficiência operacional dos algoritmos. 

Na realidade, esses mecanismos não aprendem a decidir o que é verdadeiro, importante ou ético. Eles medem reações, onde conteúdos que geram emoção (como surpresa ou raiva) tendem a se espalhar mais rápido. Por isso, as redes sociais não são meios de comunicação neutros: tudo parece acessível e transparente, mas os critérios de seleção permanecem opacos. Isso significa que o usuário vê o resultado, mas não o processo. Dessa forma, a sensação de liberdade convive com uma curadoria invisível. 

Fique no controle: saiba como configurar os algoritmos

Na maioria das plataformas, existem ferramentas para controlar o algoritmo e até dar um “reset” (redefinir o perfil estatístico). No Instagram, por exemplo, você pode modificar suas preferências de conteúdo indo em Perfil (no celular)> Menu (três barrinhas no topo)> Preferências de conteúdo. Lá você pode revisar quais tópicos tem ou não tem interesse, e redefinir o conteúdo sugerido, efetivamente reiniciando o mecanismo e fazendo-o ignorar interações anteriores. 

Contudo, a ferramenta mais poderosa para lidar com o algoritmo é observar o próprio comportamento. O uso consciente significa questionar: “Esse conteúdo realmente me interessa ou só está me distraindo?”. Tenha em mente que não precisamos saber de tudo nem reagir a tudo. Focar em interesses genuínos, seja música, educação ou temas locais, transforma a rede social de uma máquina de distração em um recurso que permite a conexão com ideias e pessoas que impactam positivamente a sua vida. 

Siga perfis relevantes que realmente estejam alinhados com seus objetivos e use o recurso “Não tenho interesse” para conteúdos vazios. Educar o algoritmo é uma necessidade constante para que você recupere o controle sobre o que consome e, consequentemente, sobre o seu próprio tempo. 

Israel Efraim de Oliveira é Desenvolvedor de Software na Coordenação de Inovação no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI). É bacharel em Ciência da Computação pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) e mestrando em Inteligência Computacional pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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