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*Por Igor Alberte
Pense em uma cidade com centenas de milhares ou milhões de cidadãos pagando tributos, agendando consultas em postos de saúde, buscando vagas em escolas e enviando documentos aos serviços públicos todos os dias. Cada uma dessas interações revela necessidades, prioridades e padrões de comportamento – que não podem ser avaliadas sem ferramentas adequadas, mas que podem ser muito úteis para tomadores de decisão na gestão pública.
Essa quantidade avassaladora de dados gerada a grandes velocidades é o que se chama de Big Data. Por trás deles, escondem-se padrões, informações importantes e insights valiosos que não podem ser vistos a olho nu – para descortinar esses mistérios, tecnologias como Data Lake, recursos de Business Intelligence (BI) e Inteligência Artificial (IA) são muito úteis.
A figura do Data Lake torna-se essencial nesse cenário por permitir a agregação de várias bases de dados. Em um município, coexistem sistemas de várias secretarias e órgãos, e a informação, muitas vezes, torna-se mais interessante quando agrupada. Essa ferramenta também é essencial para dar subsídio a painéis de BI e instrumentos de IA.
Os instrumentos de BI são focados em acompanhar o histórico dos dados. Será que existe alguma evolução no número de solicitações de atendimento em unidades de saúde ao longo dos anos? Qual é a quantidade de pessoas inadimplentes com os tributos municipais? Como está a demanda por vagas em creches e escolas nos bairros da cidade? São perguntas importantes do ponto de vista gerencial e que podem ser facilmente visualizadas em painéis de BI.
Já a IA, última sensação do momento, vem complementar os recursos disponíveis. Imagine o tempo gasto diariamente na verificação e validação de documentos nos diversos processos que correm nos órgãos. Ou podemos pensar na dificuldade de mapear as árvores em vias públicas da cidade que estejam com risco de queda. Ainda: quantos atendimentos por telefone ou e-mail são feitos diariamente por funcionários da prefeitura para responderem apenas dúvidas comuns? A IA é uma aliada poderosíssima na resolução dessas demandas!
Chatbots automatizados, alimentados com informações oficiais, ferramentas para lerem e avaliarem documentos e instrumentos capazes de analisar bases de dados e imagens em busca de padrões já estão sendo muito explorados, por exemplo, em Curitiba – cidade já considerada a mais inteligente do mundo, com o apoio de seu parceiro de longa data: o Instituto das Cidades Inteligentes (ICI) – e essa experiência tem trazido bons frutos.
Conhecer as ferramentas de dados e Inteligência Artificial é algo fundamental para os municípios surfarem a onda do Big Data. Essa não é uma empreitada fácil, mas um passo importante é conhecer caminhos de sucesso já traçados por outros municípios para ter modelos a se seguir – e Curitiba, com certeza, pode ser um ótimo ponto de partida!
*Igor Alberte é mestre em Ciências de Computação e Matemática Computacional pela Universidade de São Paulo (USP), graduado em Ciência da Computação (IFNMG) e em Ciência Política (UNINTER). Também é professor-tutor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da USP MBA. Atualmente, trabalha como analista de sistemas com foco em Inteligência Artificial e Big Data no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).
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