SXSW se parece cada vez mais com Woodstock

Existe uma transformação em curso e não é somente aquela que ouvimos e vemos nos noticiários e holofotes.

27 de abril de 2022 11:04
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Robert Janssen, americano parcialmente educado no Brasil, é um executivo e empreendedor com mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento d...

Woodstock impactou a cultura dos Estados Unidos nos anos 60 e 70, dando na ocasião voz à comunidade de hippies muitas vezes negligenciada, pois estavam trazendo novas atitudes e ideias para a nação e legitimando o sentimento antiguerra que eles estavam vivenciando. Em suma, os hippies simbolizam a contracultura;

Depois de 5 anos participando no SXSW, acredito que o evento que tem na sua história o fato de ter nascido também no berço da música, venha tornando-o num símbolo semelhante ao que Woodstock representou a “counter culture”. Onde se reúne, de forma consistente, diversos pensadores, especialistas e pessoas comuns que compartilham do movimento de mudança radical que tem como princípios o senso de propósito e a colaboração, e que querem construir num mundo mais equânime.

Trazendo isso para o foco prático, o grande destaque do SXSW 2022 até agora, não é exatamente mais uma novidade, em se tratando do blockchain (e seus derivados). O que é a grande novidade é que o blockchain se tornou uma realidade. Estava presente em todas as palestras, debates e conversas que participei e o sentimento unanime é como o mundo está acelerando na sua adoção.

Portanto, é difícil exagerar o impacto que a tecnologia blockchain está tendo. Lembrando que a primeira versão dessa tecnologia foi lançada em 2009 por uma entidade até então desconhecida chamada Bitcoin, e desde então se tornou uma das tecnologias mais influentes da atualidade.

Hoje, qualquer pessoa aqui saberá do que você está falando quando mencionar “blockchain”. Não é apenas a tecnologia no coração do Bitcoin, mas seu nome se tornou sinônimo de códigos que abastecem os mercados digitais. De carteiras a empréstimos, de contratos futuros a títulos de propriedade, NFT’s, os códigos blockchain agora estão em toda parte.

E a nova tendência que vem amadurecendo rapidamente, “na calada da noite” e se tornou também uma das novas tecnologias mais comentadas no evento, é o DAO (Decentralized Autonomous Organizations). Aguardem, pois certamente teremos mais novidades antes do final dessa jornada no SXSW 2022.

O que estamos presenciando no SXSW não é somente a consolidação de um evento que se tornou uma referência mundial para inovação, mas também um posicionamento cada vez mais firme com relação a criação de uma nova ordem, mais equânime e mais justa. Exatamente o mesmo impacto que Woodstock causou no fim dos anos 60.

O SXSW, tem destacado a cada ano e com cada vez maior força, que o status quo da humanidade e suas relações, estão com seus dias contados. Existe uma transformação em curso, e não é somente aquela que ouvimos e vemos nos noticiários e holofotes. Na esteira da velocidade da mudança, as inovações tecnológicas recentes estão se sedimentando e construindo uma nova ordem, onde a palavra de ordem é descentralização.

O blockchain fez a demonstração cabal de como a tecnologia consegue resolver um problema milenar do comportamento humano: a confiança. É justamente por causa da falta de confiança quando existe interferência humana, que se precisa de uma tecnologia como a do blockchain, pois com ela agora se tem a irrefutabilidade garantida e soberana, ou seja, acima de qualquer tempero político ou de agenda pessoal.

E seguindo uma trajetória natural de evolução na medida que conquista maior penetração agora estamos assistindo o levante das DAOS (Decentralized Autonomous Organizations), que, através do blockchain, consegue transferir uma autoridade centralizada e desconectada, para uma que é compartilhada e distribuída. 

A maior surpresa do SXSW 2022 do ponto de vista tecnológico, foi constatar o quanto que o blockchain já faz parte do cotidiano, e que não existe mais um caminho de volta para uma nova ordem, onde se terá tecnologia disponível para promover os novos desenhos da sociedade. Neste ano pode se perceber um forte movimento para que as organizações passem a se orientar primeiro a partir de um propósito maior, um que contribui para o desenvolvimento geral e individual dos cidadãos. Viva as “Purpose-driven Organizations”!

Outra grande surpresa, e essa não tecnológica, mas sim de tendência, foi o quanto se ouvia a língua portuguesa nos corredores do evento. Pelos meus cálculos, usando como base, a quantidade de pessoas e respectivas filas para os happy hours promovidos por empresas de tecnologia e até pela Rede Globo, com sua campanha Keep Globo Weird, eu arriscaria que deveríamos ter pelo menos 800 participantes vindos do Brasil, ou seja, Austin, e o SXSW em especial, está virando território brasileiro permanente. Fiquei sabendo que a delegação brasileira foi a segunda maior, mas pelo o indicador dos corredores, parecia ser a primeira.
Para quem está nessa estrada internacional há 3 décadas, foi muito bom ver como que os brasileiros estão cada vez mais internacionais. Foi muito bom constatar que cada vez mais o Nelson Rodrigues no final se equivocou por não ter podido perceber o impacto do futuro, pois ser um vira lata hoje, não é mais um complexo emocional, e sim uma vantagem competitiva no cenário mundial. Viva o Brasileiro!

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