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Dia dos Namorados acende alerta para golpes de “love scamming” impulsionados por IA e redes sociais

Golpes amorosos com uso de inteligência artificial já movimentam bilhões em perdas globais e exploram vínculos emocionais criados em ambiente digital

11 de junho de 2026 08:30
A combinação entre aplicativos de relacionamento, redes sociais e inteligência artificial generativa elevou o nível de golpes do amor, o “love scamming”, golpe em que criminosos criam relacionamentos afetivos falsos para manipular vítimas e obter dinheiro, dados pessoais ou acesso a contas digitais.
Hoje, fraudadores conseguem criar perfis extremamente convincentes, utilizando fotos geradas por IA, vídeos manipulados, áudios sintéticos e interações altamente personalizadas. O resultado é um cenário em que identificar um criminoso digital se tornou muito mais difícil, especialmente em períodos emocionalmente sensíveis e de maior exposição online, como o Dia dos Namorados.
O relatório da Febraban Tech, publicado em março de 2026, que analisa fraudes bancárias, mostra que as fraudes digitais geraram prejuízos de cerca de US$ 442 bilhões para a economia global em 2025, com circulação ilícita de recursos pelo sistema financeiro. Ao todo, foram registradas 170 milhões de ocorrências criminais e 9 bilhões de consultas feitas por agências policiais à base da Interpol.
No Brasil, apenas em 2024, as perdas com fraudes chegaram a R$ 10,1 bilhões. O levantamento também indica que 4 em cada 10 brasileiros já foram vítimas de algum tipo de golpe. A subnotificação ainda é elevada, já que muitas vítimas sentem vergonha ou constrangimento em relatar o ocorrido.
“Hoje existe uma verdadeira operação profissional por trás dessas fraudes, utilizando automação, engenharia social e inteligência artificial para criar vínculos emocionais extremamente rápidos. O criminoso entende o comportamento da vítima, cria empatia e explora vulnerabilidades emocionais para ganhar confiança”, afirma Fernanda Barros, gerente de Compliance da Remessa Online, maior plataforma independente de transferências internacionais do Brasil.
Segundo Fernanda, muitos criminosos tentam legitimar as abordagens utilizando narrativas ligadas a transferências internacionais, envio de presentes do exterior, liberação alfandegária ou movimentações cambiais urgentes. O objetivo é criar uma sensação de urgência emocional para reduzir o senso crítico da vítima.
Como se proteger?
Desconfiar sempre. Perfis que demonstram envolvimento emocional acelerado, evitam encontros presenciais ou chamadas de vídeo frequentes, apresentam histórias excessivamente dramáticas ou começam a solicitar dinheiro, investimentos ou ajuda financeira são os mais perigosos. Também é importante evitar o compartilhamento de documentos pessoais, dados bancários e informações corporativas com pessoas conhecidas apenas virtualmente.
As instituições financeiras têm dificuldades em interferir nestas transferências porque o cliente tem privacidade e livre-arbítrio, já que, em muitos casos, é a própria vítima que realiza as transações. “Temos mecanismos para desconfiar dos golpes, mas precisamos que os clientes fiquem atentos aos sinais de atitudes fraudulentas”, explica Fernanda.
Assessoria
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