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Enquanto parte do mercado alerta para riscos de sistemas cada vez mais capazes, empresários que já utilizam a tecnologia no dia a dia defendem que segurança e mecanismos de controle avancem no mesmo ritmo
Imagem: Freepik (Divulgação)
O debate sobre a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial ganhou força nas últimas semanas, com pesquisadores e líderes de empresas de tecnologia discutindo se os avanços dos chamados modelos de fronteira deveriam ser desacelerados para que mecanismos de segurança acompanhem a evolução das capacidades. Entre executivos de empresas que já utilizam IA em suas operações, a discussão também divide opiniões — mas há convergência sobre a necessidade de ampliar os mecanismos de controle.
Para Rafael Tinoco, CPO e cofundador da Arvo, o principal desafio em setores como saúde ainda não é o excesso de capacidade dos modelos, mas a dificuldade de colocar em produção, com segurança, aquilo que a tecnologia já consegue fazer.
“Não estamos escolhendo entre velocidade e segurança. Enquanto a fronteira avança, o trabalho do setor é construir essa fundação”, afirma. Para ele, previsibilidade, explicabilidade e rastreabilidade são elementos necessários para que empresas consigam utilizar IA em escala com governança.
Já Lucas Smaira, cofundador da Vetto, considera legítima a discussão sobre desaceleração, especialmente diante do aumento das capacidades dos modelos. Segundo ele, sistemas que hoje escrevem código, utilizam ferramentas e operam computadores podem ampliar os riscos associados a ataques cibernéticos e outras formas de uso malicioso.
Segurança precisa acompanhar avanço da tecnologia
Smaira explica que uma das dificuldades está no chamado alignment, área dedicada a fazer com que o comportamento dos modelos permaneça dentro de limites considerados aceitáveis, inclusive diante de situações que os desenvolvedores não anteciparam. Na visão do executivo, o debate sobre slow down não deveria significar uma interrupção permanente, mas criar espaço para que os mecanismos de defesa evoluam.
Para Alexandre Brum, CEO da Vultus, a regulação também é necessária, mas não deve se transformar em burocracia. “O que me preocupa genuinamente é o uso desenfreado e sem governança”, afirma. Ele defende controles sobre dados, acessos, arquitetura e responsabilidades e ressalta que a própria IA deve ser utilizada para reforçar a segurança cibernética.
Rafael Alencar, CEO da Hypier e sócio da Connect2B, coloca a discussão sob outra perspectiva. Para ele, a tecnologia amplia o repertório de possibilidades disponíveis aos profissionais, mas não elimina a necessidade de decisões humanas. “A ferramenta abre a porta, mas não decide se vale a pena entrar por ela”, afirma.
O debate também envolve questionamentos sobre os interesses econômicos dos grandes laboratórios. Marcelo Abreu, CTIO do Venturus, chama atenção para a aparente contradição entre discursos de desaceleração e a disputa por investimentos e valorização no setor.
Na visão de John Park, especialista em IA e Founding Member of Technical Staff da AGI Inc., preocupações legítimas de segurança podem coexistir com incentivos comerciais. Para ele, a questão central é definir exatamente o que deveria desacelerar — pesquisa, treinamento, implementação ou gastos — e quais seriam os efeitos disso.
No cenário político americano, a administração de Donald Trump tem adotado uma orientação de aceleração do desenvolvimento e da adoção de IA, combinada a medidas de segurança e cibersegurança. Em junho, por exemplo, a Casa Branca determinou a aceleração do uso de IA em aplicações de segurança nacional e, em setembro, Trump assinou uma ordem executiva que passou a usar oficialmente o termo “Super Intelligence” no governo federal.
O conjunto das opiniões mostra que a discussão deixou de ser apenas sobre se a IA deve avançar. O debate passa cada vez mais por quais limites devem acompanhar esse avanço e como empresas, governos e pesquisadores podem construir mecanismos de segurança antes que novas capacidades sejam amplamente utilizadas.
Assessoria
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