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Startups verdes ganham protagonismo e ajudam a desatar nós do ESG no Brasil

No Brasil, greentechs ganham espaço e ajudando empresas a sair da promessa para a prática

29 de agosto de 2025 08:30

O mercado global de tecnologia verde deve saltar de US$ 25,47 bilhões em 2025 para US$ 73,90 bilhões até 2030, segundo o relatório Green Technology & Sustainability Market Report 2025. Os principais motores dessa expansão são a inteligência artificial, a digitalização de processos e a pressão crescente por accountability ambiental, social e de governança. Mas a corrida por práticas ESG mais maduras ainda encontra barreiras significativas dentro das empresas, como a pulverização de dados, a baixa integração entre áreas e a falta de ferramentas que convertam esforços dispersos em decisões estratégicas.

Nesse vácuo, especialistas em inovação apontam o surgimento de plataformas especializadas em gestão ESG como um dos movimentos mais relevantes do cenário atual. Para Marcelo Moura, diretor da HOTMILK PUCPR, considerada o principal ecossistema de inovação do Paraná, essas soluções têm desempenhado um papel estratégico ao transformar desafios regulatórios e operacionais em oportunidades de gestão eficiente. “As greentechs têm mostrado profundidade técnica, agilidade e capacidade real de execução. São elas que estão ajudando a conectar tecnologia, sustentabilidade e governança de maneira prática e escalável”, avalia Moura, que já acompanhou a aceleração de mais de 350 startups dentro do ecossistema.

No Brasil, um dos exemplos é a Ororo, uma startup verde que transformou uma solução originalmente voltada à eficiência energética em uma torre de controle ESG: um sistema modular, baseado em dados e capaz de integrar governança, impacto social, emissões, consumo e cadeia de fornecedores em um só ambiente. “Ainda há uma lacuna grande entre o que se reporta e o que se gerencia de fato. O ESG precisa sair dos relatórios e entrar na operação. Quando conseguimos visualizar esses dados de forma conectada, é possível entender riscos, agir preventivamente e demonstrar resultados com consistência”, avalia Maurício Kusbick, CEO e cofundador da Ororo.

Fundada no final de 2021, a Ororo nasceu com base técnica no setor industrial, com foco na redução do consumo energético. A validação do mercado, porém, mostrou que o desafio era mais amplo: as empresas precisavam não apenas economizar, mas estruturar, integrar e evidenciar suas práticas ESG com credibilidade e metodologia. A partir de 2023, a plataforma passou a oferecer módulos conectados que permitem desde o inventário de carbono até a avaliação de fornecedores. A proposta se ajusta ao nível de maturidade de cada organização, uma premissa importante em um cenário em que muitas empresas ainda estão no início da jornada ESG.

O CTO e cofundador da startup, Luciano Henrique, explica que o foco está menos na criação de obrigações e mais na geração de visibilidade sobre aquilo que já acontece, ou deveria acontecer, nas estruturas internas. “A tecnologia ajuda a transformar dados soltos em decisões. Não se trata de adicionar mais uma camada burocrática, mas de organizar o que já existe com coerência e propósito”, afirma.

A trajetória da Ororo acompanha uma movimentação mais ampla do setor de inovação no Brasil, que tem visto o fortalecimento de greentechs ligadas à sustentabilidade corporativa. No caso da Ororo, a passagem pelo programa BRDE Labs, promovido pela HOTMILK PUCPR, marcou a virada estratégica da empresa rumo ao ESG completo. Hoje, com base técnica sólida, a Ororo opera com clientes de diferentes portes e segmentos, e se posiciona como parte de uma geração de soluções nacionais capazes de apoiar a transição para práticas empresariais mais sustentáveis, rastreáveis e responsáveis. Além disso, integra o hub de inovação da PUCPR, que reúne mais de 140 startups.

No campo ESG, o desafio ainda está em movimento e a demanda por soluções práticas, adaptáveis e confiáveis deve crescer junto com os padrões internacionais de reporte e verificação. “Não existe mais espaço para decisões baseadas apenas em narrativa. Quem quiser se manter competitivo vai precisar de gestão real, com indicadores auditáveis e integração de ponta a ponta”, conclui Kusbick.

 

Assessoria

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